Ambroise Vollard, o marchand
(1865-1939)
Este é um dos maiores marchands de todos os tempos. Foi um apaixonado pela produção
artística de sua época e um grande incentivador, principalmente do
Impressionismo. Conviveu com Monet, Cèzanne, Sisley, Degas, Renoir, van Gogh,
Matisse, Rouault, Toulouse Lautrec, Gauguin, Bonnard, Pissarro, Rodin e muitos outros.
Ambroise Vollard-Picasso
Picasso foi incentivado por ele. A exposição de 1907, de um jovem e recém
instalado pintor chamado Pablo Picasso, foi organizada por Vollard. Picasso o retrata, e este retrato será, talvez, a obra mais característica do cubismo. Vollard também inspira o nome
da série de 100 gravuras, a “Suite Vollard”, feita por Picasso.
Ambroise Vollard-Cèzanne
Vollard fará a primeira
exposição solo de Cèzanne, em 1895. Ele tinha olho, intuição e capacidade
de reunir o crème de la crème da capital
artística da época, Paris. É impressionante os nomes que conseguiu reunir em seu entorno. Mas ele era bem mais do que marchand! Influía, opinava, direcionava, entrava na
intimidade. Registrou várias conversas em forma de entrevistas de Renoir, por
exemplo. De Degas. De Cèzanne. Atrás do pintor, captava o ser humano, sua técnica, suas idiossincrasias. Muitas de suas memórias se constituem em comoventes retratos
vivos que extraía dos artistas e que depois relatou em seu livro “Lembranças de um Comerciante de Quadros”. Em 1889
se lança a publicar uma edição de renomados poetas, ilustrados pelos grandes
mestres com quem convivia. Ele reunia tudo: museus compradores, artistas, críticos.
Ambroise Vollard-Bonnard
O jovem mulato Vollard deixou sua ilha natal, a Martinica (possessão
francesa no Caribe) para estudar direito
em Montpellier. Mas será em Paris que abrirá sua galeria, em 1890, e se dedicar
ao que era seu hobby, a Arte. Em1894 investe na pintura de vanguarda, comprando
a preço muito baixo, parte do espólio de Père Tanguy (dono de loja de material
de pintura que aceitou muitas vezes, como pagamento, quadros de obscuros
pintores- assim obtendo van Gogh, Cézanne, Gauguin, entre outros). Vollard comprava em massa a obra de artistas quando farejava o talento. Além de faro, tinha habilidades. Estendeu internacionalmente
seus negócios, com a Rússia, com os EUA e outros. Em 1914 a guerra o obriga a fechar
a sua galeria. Só vai abrir novamente depois de terminadas as hostilidades, e será
em outro espaço.
Ambroise Vollard-Renoir
Morre em 1939, aos 73
anos, por acidente de carro.
Devemos a ele muitas coisas, principalmente a coragem de
investir em pintores novatos, com os quais outras galerias não queriam correr riscos.
Devemos-lhe grandes exposições, entre elas a dos Nabis, em 1899,
a primeira de Picasso e de Cèzanne. A de Matisse, em 1904.
Editou autores como Verlaine com ilustrações de Bonnard, uma reedição de Balzac
com 90 ilustrações de Picasso. Maupassant com
ilustrações de Degas. As fábulas de La Fontaine com ilustrações de Chagall e
assim por diante. Devemos-lhe a generosidade com que deixava sua galeria de
portas abertas para encontros e espaço de
discussões de arte moderna, lugar onde muitas carreiras ganharam seu impulso. Os
variados quadros com a pessoa de Vollard revelam sua íntima relação com todos
estes artistas. Que figura fantástica ele deve ter sido!
Angela Weingärtner Becker
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